Após as recentes declarações de duas altas figuras do estado Santomense, sobre o sistema político do país e falta de recursos para dar resposta a uma operação de busca e salvamento de dois cidadãos nacionais desaparecidos no alto mar, leva-nos a retroceder cronologicamente, e lembrar a mais bela e sábia frase do filósofo Tales de Mileto: - “Quem sou, de onde venho e para onde vou”, transcrevendo numa linguagem plural: - “Quem somos, de onde viemos e para onde vamos”.
De igual modo, entrar de novo em contacto com a história da “Alice no País das Maravilhas”. Talvez até se lembre da passagem em que a menina Alice, ansiosa por escapar dos domínios da Duquesa, conversa com o Gato de Cheshire.
“O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo seguir para sair daqui?”, pergunta Alice. “Isso depende muito para onde você quer ir”, responde o Gato. “Não importa muito para onde…”, diz Alice. E o Gato sentencia: “ Então, não importa o caminho que escolher”. Alice responde: “Contando que vai dar algum lado, parece-me bem”. “Pode ter certeza de que vai chegar a algum lado se caminhar bastante”, garante o Gato.
Por esta altura, deve estar a interrogar-se até que ponto tem a ver a frase de Tales de Mileto e uma história infantil um tanto ao quanto “maluquinha” com as declarações proferidas pelas figuras do estado.
Antes de deixar as metáforas de lado, quero ainda frisar o Paulo Coelho, no seu livro “O Alquimista”, que escreveu o seguinte: “Quando alguém quer alguma coisa, todo o Universo conspira para que se realiza esse desejo”. Isto quer dizer que, quando sabemos o que queremos, podemos traçar um caminho para lá chegar. Logo, para fazer as escolhas certas, tomar decisões importantes na vida, para traçar um caminho rumo à conquista das nossas aspirações, é fundamental saber aonde queremos chegar.
E assim, vem a primeira regra de ouro: Tenha um norte para as suas acções. Se não sabe onde quer chegar, tanto faz o caminho. – Do Gato Cheshire.
Caindo no real, parece-me que os sucessivos governos empossado em S.Tomé e Príncipe, nunca seguiram um plano, um programa rígido, uma estratégia e uma politica séria de desenvolvimento sustentável. O que parece, é que muitos assumem funções, sem saber o que irá fazer nem como fazer. Talvez sim, como forma de preencher os seus currículos, sem ter noção do grau de responsabilidade que irá assumir, e muitas das vezes, sem perfil para lá estar.
Pergunto: - qual é o sector ou qual a área estratégica para o desenvolvimento e crescimento económico do país, apresentada por um governo, e que foi levado a sua implementação? Será o sector Primário, secundário, terciário? Agricultura, pesca, turismo, formação, infra-estruturas?
Pois caros, são essas as respostas, que certamente muitos gostariam de saber.
Uma coisa é certa, sem uma estratégia clara e bem definida, uma politica seria e conduzida, nunca chegaremos ao lado nenhum. E não esqueçam que, “quem tudo quer, tudo perde”.
Enquanto, continuamos na política de “faz de conta, e de vamos experimentar”, o país continuará neste marasmo, e por mais incrível que pareça, notaremos cada vez mais, a existência de três classes dentro de uma só sociedade: - “aquela em que as pessoas gastam rios de dinheiro; aquela em que as pessoas comem para viver e aquela em que as pessoas não sabem de onde virá a próxima refeição”; ou seja, “Salva quem puder, Cada um por si e Deus por todos”.
É lamentável, é crítica, é dura, mas, infelizmente, essa é a nossa realidade!
António Crisóstomo
Santomense – Setembro 2008
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