segunda-feira, 25 de maio de 2009

ARTIGO - Publicado aos 14/06/2007 04:16 - Site da Ilha do Príncipe

Caros
Certamente, são muitas as pessoas que criticam e mostram as suas indignações pela posição assumida pelo Presidente da Assembleia Regional do Príncipe, relativamente ao “mega projecto” destinado a essa região, alegando que está em causa o desenvolvimento e crescimento económico da ilha.
É necessário salientar aos mesmos, que o desenvolvimento e crescimento económico não são sinónimos de “mega investimento”, muito pelo contrário, é o sinónimo de “saber investir”. O “saber investir” tem implicação não só no domínio económico, como também nos domínios demográficos, sócio-cultural e político. Isto é, no plano concreto, o desenvolvimento é um fenómeno muito complexo que integra as mudanças mentais e sociais e o progresso dos conhecimentos da população, de modo a aumentar de uma forma sustentada o seu produto global real, o seu bem-estar e a sua qualidade de vida.
Ora, para haver desenvolvimento de um país ou região, é necessário não só que aumente regularmente a produção de bens e serviços (crescimento económico), mas também que este aumento corresponda:
1º ao aumento harmónico dos diferentes ramos de actividades;
2º a redução nas desigualdades de repartição dos rendimentos e melhorias do poder de compras da população;
3º a garantia da satisfação das necessidades básicas, tais como alimentação, saúde e educação;
4º a garantia das liberdades humanas;
5º ao respeito pelo planeta e pela geração futura.
Neste sentido pergunto:- Qual é a conclusão do relatório de estudo de impacto ambiental apresentado, que garante pelo menos os 3 últimos pontos anteriormente citado?- Já pensaram nas graves e grandes consequências sociais e ambientais que poderão surgir na implementação desses projectos, tais como: o perigo da nossa rica fauna e flora marinha, poluição, resíduos tóxicos, prostituição, tráficos drogas…?
Meus caros, dizia o senador Edmund Muskie 1971: - “ não podemos dar a ninguém a opção de poluir mediante um pagamento. Ar puro e água limpa, são os direitos humanos fundamentais e não devem ser aviltados por consideração de ordem económica. O meio ambiente é tão importante, que deveríamos protege-lo sem pensar em custos”.
Por isso, quero frisar que estou e estarei plenamente de acordo com a posição tomada pelo senhor Presidente da Assembleia Regional, até que seja apresentado um estudo CREDÍVEL, que mostre de facto todos os prós e contra desses investimentos.Já não podemos deixar cair nos erros que outrora foram cometidos; já não podemos deixarmos levar pela ambição ou pela emoção, mas sim, devemos “saber gerir”; saber gerir o pouco que temos, de forma a termos uma sociedade saudável, alegre e rica. Para que tal aconteça, é necessariamente obrigatório saber planear, organizar, dirigir e controlar; ou seja, “saber pensar”. E o “saber pensar”, segundo os economistas, é agir de “cabeça fria ao serviço de corações ardentes” isto é, a sociedade tem que encontrar o justo equilíbrio entre a disciplina do mercado e a generosidade dos programas do governo. Ao usar a cabeça fria para informar os nossos corações ardentes, que podemos desempenhar um papel fundamental para atingirmos uma sociedade próspera e justa.
Partilhando a mesma opinião que senhor Danilo Salvaterra: o futuro do Príncipe passa por uma boa preparação da população, dedicando os esforços para um melhor ensino, saúde, assistências aos idosos, habitação, melhorando apenas as existentes estruturas portuárias, aeroportuárias, hospitalares, e implementação de uma grande aposta no turismo, agricultura e pesca.
Para terminar, quero pedir em nome de toda população do príncipe e em meu nome em particular aos senhores membros do Governo Regional e aos senhores Deputados da Assembleia Regional, que busquem sempre o melhor consenso possível nos seus afazeres, de forma a encontrarem melhores soluções e saídas nas resoluções das situações que provavelmente poderão surgir, uma vez que o nosso Príncipe é pequeno e precisa de contributo de tudo e todos (seja ela de uma forma directa ou indirecta) e tentarem evitar ao máximo transparecer para o exterior as divergências internas.
Porém, são necessária uma forte coesão e convergências de opiniões e atitudes, sobre tudo entre os membros do governo. Como diz o velho ditado: - “a união é que faz a força, e contra força não há resistências possíveis”. Neste momento mais do que nunca, precisamos de um príncipe com uma sociedade unida e consistente, de modo a vencer todo e qualquer tipo de obstáculo ou dificuldade, e não um príncipe com divergências ou contradições.

Com os melhores cumprimentos,

António Crisóstomo

Sem comentários: