segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Eu acredito que SãoTomé e Príncipe vai mudar para melhor"

É, eu acredito.
Mas ainda não consigo acreditar que isso possa ser a curto ou médio prazo. A cada dia eu estou mais convencido de que a esmagadora maioria da população não tem a mais vaga ideia do que seja a Democracia representativa pela qual tanto se lutou na década de 90.
Ainda falta muito para conseguirmos entender o tamanho da responsabilidade que a Democracia nos traz. E só quando essa consciência chegar, só quando nós entendermos que isso depende mesmo, directamente, de cada um de nós, o nosso país vai mudar para melhor.

É, eu acredito.
Acredito tanto quanto os timorenses: – “um dia ser independente”
Acredito tanto quanto os angolanos: - “um dia conhecer a paz”
Acredito tanto quanto os americanos: - “um dia ter um presidente negro”
Acredito tanto quanto os cubanos: -”um dia abrir ao mundo”

É, eu acredito.
Acredito que possamos mudar...
Acredito que um dia os nossos políticos podem mudar de consciência.
Acredito, porque somos uma nação fantástica, privilegiada de inúmeros recursos naturais e humanos, dotados de uma criatividade invejável, além de uma alegria inconfundível.

É, eu acredito.
Sinceramente, acredito que podemos virar o jogo.
Acredito que palavras: unidade, disciplina e trabalho; aquelas que fazem parte do nosso brasão de armas, um dia sejam dadas o seu verdadeiro sentido.
Acredito, porque acredito nos braços heróicos do povo.
Acredito que um dia poderemos criar os nossos filhos numa sociedade mais justa, mais equilibrada, mais respeitada e fantástica!

É, eu acredito.
Acredito que palavras como…
Verdade, Igualdade, Oportunidade, Liberdade, Ética, Moralidade, Fidelidade, Carácter e Bondade...
Que faz tanto tempo, e até acho que já nos esquecemos delas, algum dia, elas farão algum sentido e que existirão pessoas dispostas a lutar para defendê-las.

É, eu acredito.
Acredito, porque ainda estou vivo, e acredito tal e qual como Santo Tomé – “ver para crer” – neste sentido, tenho fé, e se eu não morrer, ainda acredito que vou ver meu país no expoente máximo da esfera mundial.
Acredito, porque “esperança é última a morrer”, e o futuro de S. Tomé e Príncipe, depende de cada um de nós!

É eu acredito…

António Crisóstomo (Jornal O Parvo 25-05-09)

ARTIGO - Publicado aos 14/06/2007 04:16 - Site da Ilha do Príncipe

Caros
Certamente, são muitas as pessoas que criticam e mostram as suas indignações pela posição assumida pelo Presidente da Assembleia Regional do Príncipe, relativamente ao “mega projecto” destinado a essa região, alegando que está em causa o desenvolvimento e crescimento económico da ilha.
É necessário salientar aos mesmos, que o desenvolvimento e crescimento económico não são sinónimos de “mega investimento”, muito pelo contrário, é o sinónimo de “saber investir”. O “saber investir” tem implicação não só no domínio económico, como também nos domínios demográficos, sócio-cultural e político. Isto é, no plano concreto, o desenvolvimento é um fenómeno muito complexo que integra as mudanças mentais e sociais e o progresso dos conhecimentos da população, de modo a aumentar de uma forma sustentada o seu produto global real, o seu bem-estar e a sua qualidade de vida.
Ora, para haver desenvolvimento de um país ou região, é necessário não só que aumente regularmente a produção de bens e serviços (crescimento económico), mas também que este aumento corresponda:
1º ao aumento harmónico dos diferentes ramos de actividades;
2º a redução nas desigualdades de repartição dos rendimentos e melhorias do poder de compras da população;
3º a garantia da satisfação das necessidades básicas, tais como alimentação, saúde e educação;
4º a garantia das liberdades humanas;
5º ao respeito pelo planeta e pela geração futura.
Neste sentido pergunto:- Qual é a conclusão do relatório de estudo de impacto ambiental apresentado, que garante pelo menos os 3 últimos pontos anteriormente citado?- Já pensaram nas graves e grandes consequências sociais e ambientais que poderão surgir na implementação desses projectos, tais como: o perigo da nossa rica fauna e flora marinha, poluição, resíduos tóxicos, prostituição, tráficos drogas…?
Meus caros, dizia o senador Edmund Muskie 1971: - “ não podemos dar a ninguém a opção de poluir mediante um pagamento. Ar puro e água limpa, são os direitos humanos fundamentais e não devem ser aviltados por consideração de ordem económica. O meio ambiente é tão importante, que deveríamos protege-lo sem pensar em custos”.
Por isso, quero frisar que estou e estarei plenamente de acordo com a posição tomada pelo senhor Presidente da Assembleia Regional, até que seja apresentado um estudo CREDÍVEL, que mostre de facto todos os prós e contra desses investimentos.Já não podemos deixar cair nos erros que outrora foram cometidos; já não podemos deixarmos levar pela ambição ou pela emoção, mas sim, devemos “saber gerir”; saber gerir o pouco que temos, de forma a termos uma sociedade saudável, alegre e rica. Para que tal aconteça, é necessariamente obrigatório saber planear, organizar, dirigir e controlar; ou seja, “saber pensar”. E o “saber pensar”, segundo os economistas, é agir de “cabeça fria ao serviço de corações ardentes” isto é, a sociedade tem que encontrar o justo equilíbrio entre a disciplina do mercado e a generosidade dos programas do governo. Ao usar a cabeça fria para informar os nossos corações ardentes, que podemos desempenhar um papel fundamental para atingirmos uma sociedade próspera e justa.
Partilhando a mesma opinião que senhor Danilo Salvaterra: o futuro do Príncipe passa por uma boa preparação da população, dedicando os esforços para um melhor ensino, saúde, assistências aos idosos, habitação, melhorando apenas as existentes estruturas portuárias, aeroportuárias, hospitalares, e implementação de uma grande aposta no turismo, agricultura e pesca.
Para terminar, quero pedir em nome de toda população do príncipe e em meu nome em particular aos senhores membros do Governo Regional e aos senhores Deputados da Assembleia Regional, que busquem sempre o melhor consenso possível nos seus afazeres, de forma a encontrarem melhores soluções e saídas nas resoluções das situações que provavelmente poderão surgir, uma vez que o nosso Príncipe é pequeno e precisa de contributo de tudo e todos (seja ela de uma forma directa ou indirecta) e tentarem evitar ao máximo transparecer para o exterior as divergências internas.
Porém, são necessária uma forte coesão e convergências de opiniões e atitudes, sobre tudo entre os membros do governo. Como diz o velho ditado: - “a união é que faz a força, e contra força não há resistências possíveis”. Neste momento mais do que nunca, precisamos de um príncipe com uma sociedade unida e consistente, de modo a vencer todo e qualquer tipo de obstáculo ou dificuldade, e não um príncipe com divergências ou contradições.

Com os melhores cumprimentos,

António Crisóstomo