quarta-feira, 3 de junho de 2009

Lamentável “MENTE”!

Já ouvi falar de muitas coisas na nossa sociedade, e sabe-se por antemão que é uma sociedade “difícil e de ataques”. Ataque a liberdade de expressão, ataque as impressas, ataque a democracia, ataque as populações, ataque até as forças polícias, enfim… e hoje, o cúmulo dos ataques: ataque aquilo que é sem dúvida um dos nossos patrimónios culturais históricos (Ponte de Fernão Dias), a nossa herança do passado, o símbolo da resistência e de sangue derramado dos nossos antepassados, e que em suas memórias foi decretado dia de mártires da liberdade.
A falta de consciência, a falta de sentimento, a falta de moralidade, talvez até a perda de memória (sem ofensa claro!) de alguns dirigentes em fúria de enriquecimento, quer também conduzir a sociedade são-tomense ao mesmo barco. Ou seja, apagar a memória do passado, fazendo esquecer o Dia 3 de Fevereiro como dia que marcou o princípio da grande viragem na história de São Tomé e Príncipe.

É tão difícil perceber, como é possível que por interesse pessoal de um ou outro indivíduo, quer fazer-se desaparecer o património, que todos os anos no Dia 3 de Fevereiro, alegra, junta e movimenta milhares e milhares de são-tomenses para comemorar em nome daqueles que deram a sua vida pelo país; em troca da construção de um “porto de águas profundas”!
Peço desculpas, mas, esta não é “obra diabólica”, esta é obra de uma “mente doentia e lamentável”! Só um doente pode ter uma postura dessas. Só um doente e criminoso, pode querer apagar e destruir a memória do passado de um povo, sem deixar rastos e testemunho às gerações vindouras.

Só uma mente podre e corrupta, pode pensar em destruir um património cultural histórico de um país, em vez de preservá-lo e recuperá-lo. Só um doente pode querer conduzir o país ao abismo e ao inferno total.
Sinceramente, custa-me acreditar! Muitas vezes, assim como eu, muitos gostariam de saber o que pensam os governantes são-tomenses! Será que esses homens têm cérebro? Será que esses homens têm coração? Será que são mesmos seres humanos como os outros? Incrível!

Tão incrível, que não duvido que mais dias ou menos dias, estarão também vendidas as zonas de Batepá, Trindade, Ilha do Príncipe, S. João dos Angolares… entre outras. Com esta forma de pensar; de enriquecimento fácil, de tornar milionário a força, de “eu quero – eu posso – eu faço”, e nesta leva da politiquice, qualquer dia, o país será vendido. Se já não está!.. E o povo quando despertar, estará novamente nas mãos dos novos proprietários das ilhas, levando chicotadas, e aberto o caminho a uma nova era da escravatura do século XXI.

Enquanto uns lutam, para manter e preservar o património cultural histórico do seu país, como é o caso de Cabo-Verde, que bem recentemente, vimos e assistimos o apelo do seu Primeiro-Ministro para as comunidades dos países da língua portuguesa, em relação ao campo de concentração de Tarrafal, manifestando o grande desejo de o transformar num Museu de Resistência antifascista e de luta anti-colonial; outros, como são os dirigentes de SãoTomé e Príncipe, querem destruir por completo aquilo que fez a história, e o que o povo faz da história: “Ponte de Fernão Dias”.

Lamentável “MENTE”, porque não se respeita o povo e pelo menos a sua história?
Lamentável “MENTE”, já basta matar o povo aos bocadinhos, deixando-o a fome, miséria, vivendo sem assistência médica e medicamentosa, sem energia eléctrica…já basta de poucas-vergonhas…já basta retardar o País mais do que já está, já basta!...
Lamentável “MENTE”, não mate a memória do povo são-tomense!
Lamentável “MENTE”, é com o passado que se faz o presente e constrói-se o futuro!
Lamentável “MENTE”, assim como muitos, eu não quero acreditar que único lugar mais ideal para construção da “Porto de Aguas Profundas” seja única e exclusivamente na “Ponte de Fernão Dias”!
Lamentável “MENTE”, acredito que com imensas áreas costeiras e profundezas dos nossos mares, que existem muitos lugares do qual poderiam ser aproveitados e implementado o referido projecto!
Lamentável “MENTE”, será que esse terreno já não pertencerá a uns dos bastidores, e por sua vez, está em jogo o interesse de venda do mesmo, para arrebatar mais alguns fundos?
Lamentável “MENTE”…ainda acredito que podes ganhar a consciência!
Lamentável “MENTE”…


António Crisóstomo (O Parvo 03-06-09 )

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Eu acredito que SãoTomé e Príncipe vai mudar para melhor"

É, eu acredito.
Mas ainda não consigo acreditar que isso possa ser a curto ou médio prazo. A cada dia eu estou mais convencido de que a esmagadora maioria da população não tem a mais vaga ideia do que seja a Democracia representativa pela qual tanto se lutou na década de 90.
Ainda falta muito para conseguirmos entender o tamanho da responsabilidade que a Democracia nos traz. E só quando essa consciência chegar, só quando nós entendermos que isso depende mesmo, directamente, de cada um de nós, o nosso país vai mudar para melhor.

É, eu acredito.
Acredito tanto quanto os timorenses: – “um dia ser independente”
Acredito tanto quanto os angolanos: - “um dia conhecer a paz”
Acredito tanto quanto os americanos: - “um dia ter um presidente negro”
Acredito tanto quanto os cubanos: -”um dia abrir ao mundo”

É, eu acredito.
Acredito que possamos mudar...
Acredito que um dia os nossos políticos podem mudar de consciência.
Acredito, porque somos uma nação fantástica, privilegiada de inúmeros recursos naturais e humanos, dotados de uma criatividade invejável, além de uma alegria inconfundível.

É, eu acredito.
Sinceramente, acredito que podemos virar o jogo.
Acredito que palavras: unidade, disciplina e trabalho; aquelas que fazem parte do nosso brasão de armas, um dia sejam dadas o seu verdadeiro sentido.
Acredito, porque acredito nos braços heróicos do povo.
Acredito que um dia poderemos criar os nossos filhos numa sociedade mais justa, mais equilibrada, mais respeitada e fantástica!

É, eu acredito.
Acredito que palavras como…
Verdade, Igualdade, Oportunidade, Liberdade, Ética, Moralidade, Fidelidade, Carácter e Bondade...
Que faz tanto tempo, e até acho que já nos esquecemos delas, algum dia, elas farão algum sentido e que existirão pessoas dispostas a lutar para defendê-las.

É, eu acredito.
Acredito, porque ainda estou vivo, e acredito tal e qual como Santo Tomé – “ver para crer” – neste sentido, tenho fé, e se eu não morrer, ainda acredito que vou ver meu país no expoente máximo da esfera mundial.
Acredito, porque “esperança é última a morrer”, e o futuro de S. Tomé e Príncipe, depende de cada um de nós!

É eu acredito…

António Crisóstomo (Jornal O Parvo 25-05-09)

ARTIGO - Publicado aos 14/06/2007 04:16 - Site da Ilha do Príncipe

Caros
Certamente, são muitas as pessoas que criticam e mostram as suas indignações pela posição assumida pelo Presidente da Assembleia Regional do Príncipe, relativamente ao “mega projecto” destinado a essa região, alegando que está em causa o desenvolvimento e crescimento económico da ilha.
É necessário salientar aos mesmos, que o desenvolvimento e crescimento económico não são sinónimos de “mega investimento”, muito pelo contrário, é o sinónimo de “saber investir”. O “saber investir” tem implicação não só no domínio económico, como também nos domínios demográficos, sócio-cultural e político. Isto é, no plano concreto, o desenvolvimento é um fenómeno muito complexo que integra as mudanças mentais e sociais e o progresso dos conhecimentos da população, de modo a aumentar de uma forma sustentada o seu produto global real, o seu bem-estar e a sua qualidade de vida.
Ora, para haver desenvolvimento de um país ou região, é necessário não só que aumente regularmente a produção de bens e serviços (crescimento económico), mas também que este aumento corresponda:
1º ao aumento harmónico dos diferentes ramos de actividades;
2º a redução nas desigualdades de repartição dos rendimentos e melhorias do poder de compras da população;
3º a garantia da satisfação das necessidades básicas, tais como alimentação, saúde e educação;
4º a garantia das liberdades humanas;
5º ao respeito pelo planeta e pela geração futura.
Neste sentido pergunto:- Qual é a conclusão do relatório de estudo de impacto ambiental apresentado, que garante pelo menos os 3 últimos pontos anteriormente citado?- Já pensaram nas graves e grandes consequências sociais e ambientais que poderão surgir na implementação desses projectos, tais como: o perigo da nossa rica fauna e flora marinha, poluição, resíduos tóxicos, prostituição, tráficos drogas…?
Meus caros, dizia o senador Edmund Muskie 1971: - “ não podemos dar a ninguém a opção de poluir mediante um pagamento. Ar puro e água limpa, são os direitos humanos fundamentais e não devem ser aviltados por consideração de ordem económica. O meio ambiente é tão importante, que deveríamos protege-lo sem pensar em custos”.
Por isso, quero frisar que estou e estarei plenamente de acordo com a posição tomada pelo senhor Presidente da Assembleia Regional, até que seja apresentado um estudo CREDÍVEL, que mostre de facto todos os prós e contra desses investimentos.Já não podemos deixar cair nos erros que outrora foram cometidos; já não podemos deixarmos levar pela ambição ou pela emoção, mas sim, devemos “saber gerir”; saber gerir o pouco que temos, de forma a termos uma sociedade saudável, alegre e rica. Para que tal aconteça, é necessariamente obrigatório saber planear, organizar, dirigir e controlar; ou seja, “saber pensar”. E o “saber pensar”, segundo os economistas, é agir de “cabeça fria ao serviço de corações ardentes” isto é, a sociedade tem que encontrar o justo equilíbrio entre a disciplina do mercado e a generosidade dos programas do governo. Ao usar a cabeça fria para informar os nossos corações ardentes, que podemos desempenhar um papel fundamental para atingirmos uma sociedade próspera e justa.
Partilhando a mesma opinião que senhor Danilo Salvaterra: o futuro do Príncipe passa por uma boa preparação da população, dedicando os esforços para um melhor ensino, saúde, assistências aos idosos, habitação, melhorando apenas as existentes estruturas portuárias, aeroportuárias, hospitalares, e implementação de uma grande aposta no turismo, agricultura e pesca.
Para terminar, quero pedir em nome de toda população do príncipe e em meu nome em particular aos senhores membros do Governo Regional e aos senhores Deputados da Assembleia Regional, que busquem sempre o melhor consenso possível nos seus afazeres, de forma a encontrarem melhores soluções e saídas nas resoluções das situações que provavelmente poderão surgir, uma vez que o nosso Príncipe é pequeno e precisa de contributo de tudo e todos (seja ela de uma forma directa ou indirecta) e tentarem evitar ao máximo transparecer para o exterior as divergências internas.
Porém, são necessária uma forte coesão e convergências de opiniões e atitudes, sobre tudo entre os membros do governo. Como diz o velho ditado: - “a união é que faz a força, e contra força não há resistências possíveis”. Neste momento mais do que nunca, precisamos de um príncipe com uma sociedade unida e consistente, de modo a vencer todo e qualquer tipo de obstáculo ou dificuldade, e não um príncipe com divergências ou contradições.

Com os melhores cumprimentos,

António Crisóstomo

terça-feira, 24 de março de 2009

Absurdo

Sinto nas palavras a falta de contexto
O desanexo e a sua falta de sentido
E por vezes nem consigo conter
Nem detenho o acto irreflectido
De em voz alta as dizer.

Sinto na vida que tenho, a falta de tempo,
O absurdo que aos poucos transforma o meu ordinário,
O sentir repetidas vezes, quase desnecessário.

Sinto no ar que tento respirar,
A sua quase total ausência
Que me vai estrangulando na sua inexistência
Que me vem a cada novo inspirar sentenciar

E também sinto no espaço que ocupo
O aumentar claustrofóbico da minha vontade
O espaço já de si diminuto
Restringe ainda mais a sua pouca disponibilidade

Sinto no que vejo, observo e admiro
Um não sei quê de mentira ou falsidade
Um afrontamento e por vezes a falta de verdade
Não sei que absurdo é este, mas ao que disse nada retiro 

Sinto em meu redor mais do que de mim
Sinto a acomodação a outros costumes
Um entender da eternidade que não cabe em mim
Uma satisfação por poder testemunhar dias assim
Imutáveis no conteúdo, vazios de jovialidade
Mergulhados em absurdo e escassa autenticidade

E por fim sinto-me agora frio quase a congelar
Sinto-me triste, abatido quase ao ponto de chorar
Sinto-me aqui e ali, algures a pairar
Rodeado de gente Satisfeita, orgulhosa e contente
E eu insatisfeito reúno a amargura e a solidão
Para o fúnebre enterro do próprio, que não vê noutros a razão.

(Autor desconhecido)