quinta-feira, 22 de abril de 2010

Retrato da ingovernabilidade e atropelos!

A democracia e o progresso do país não se constrói com marketing, constrói-se com competência, rigor e com envolvimentos dos cidadãos. A fúria do enriquecimento tem tornado os nossos políticos demasiado dependente do poder económico e incapazes de governar para o bem-estar social.
A luta pelo poder é uma constante e depende de verdadeiras campanhas de marketing em busca do “populismo barato”. Esta campanha que demonstra-nos claramente a dependência do dinheiro e a forma como os “políticos” são financiados para beneficiar este ou aquele, tem fragilizado os partidos políticos existentes no país e permitindo que seja um “bloco de interesses” a governar sem regra e sem moral, com total prejuízo para o país e para a maioria da população.
O povo deixou de ter tido em conta, tornando-se simples figurantes que tenta esconder as dificuldades do país real e o estado avançado da degradação das coisas. A Democracia do Povo está cada vez a dar lugar à “Democracia de Interesses Particulares ou Partidários”.
Valores da democracia, como o respeito, a liberdade, a legalidade, a solidariedade, estão a tornar-se arcaicos. O que começa a ser trivial na nossa sociedade é a mentira, a irresponsabilidade, a falta de ética, o desleixo, os desvios, a corrupção...
Esta “espécie de democracia” tem servido como “ferramenta de marketing barato” vulgarmente utilizada pelo poder político para justificar toda uma série de atropelos aos direitos dos cidadãos. Exemplo disto é a recente, inocente e infeliz declaração da senhora Ministra da Defesa Nacional, em ousar na palavra e ameaçar publicamente a detenção de um Órgão do Poder Regional (consagrado na constituição da República no seu artigo 137º), o senhor Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, como se fosse um cidadão qualquer.
Este acto, é o retrato claro que muitos governantes não conhecem os seus direitos e deveres, que não lêem ou mesmo não conhecem a Constituição da Republica, que demonstra a ignorância dos muitos “políticos” que infelizmente temos, a falta de ética, falta do conhecimento do seu estatuto enquanto político, o autoritarismo, enfim…
A culpa disto tudo está numa herança do passado dos maus “políticos” que sempre tivemos! (tirando “alma que não merece”).
E pior de tudo, é vermos cada dia que passa, um país ingovernável e sem rumo. Um país onde a justiça não funciona, onde cada um faz o que bem achar, onde assistimos diariamente jogo de palavras que entre os Órgãos da Soberania, chegando até a fazer acusações públicas e a justiça continua adormecida. Onde o governo se limita a violar a declaração universal do direito do homem, em total desrespeito pela lei e pela participação cívica dos cidadãos na vida Pública, e nada é feito. Onde os fundos públicos são usados abusivamente e ninguém é chamado a prestar conta.
Um outro exemplo que merece frisar, é a recente compra de um barco supostamente novo para fazer ligação entre as duas ilhas (SãoTomé e Príncipe). Falo do navio “Príncipe”, que custou mais de um milhão de dólares e apenas funcionou por uns dias.
Até a data, desconhece-se a posição do governo, seja ele central ou regional a respeito da matéria. Apenas se assistiu um “joguinho de palavra” entre primeiro-ministro e um dos técnicos do barco. Quem é verdadeiro responsável pela compra/avaria do barco, não se sabe e nem se preocupam em saber! Estamos a falar num valor de mais de um milhão de dólares…enfim… país que temos…
Como cidadão preocupado com os problemas do país, gostaria de saber até onde vamos parar com essas “politiquices” que em nada contribui para o desenvolvimento do nosso país? Até quando esses “politiqueiros” apercebem que politica é preocupar com problemas do país e não com interesses particulares? Até quando?
Para terminar gostaria de dizer, que a democracia não se constrói a vender “gato por lebre” nem tão pouco é “coisa” que se herde. A Democracia constrói-se com a participação activa de todos cidadãos e respeito pela Constituição da República.
Mais uma vez relembro, que “o verdadeiro político é aquele que deve trabalhar em prol da sua comunidade, atendendo aos anseios do povo em geral”.
António Crisóstomo (O Parvo 26-02-2010)